É aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar…

Lembro-me como se fosse ontem da primeira vez que embarquei rumo à Inglaterra. Houve todo um processo pré embarque, a começar pela compra da mala. Não tinha nada que coubesse todos aqueles casacos e roupas de inverno que teria que levar para não sofrer de hipotermia. Comprei uma mala vermelha (para ser fácil de achar na esteira do aeroporto, afinal 90% das pessoas tem malas pretas #ficadica), enorme, com vários zíperes, cadeado embutido, divisões!! Perfeita para a ocasião. Agora precisava selecionar as roupas e acessórios e recheá-la com meus pertences. Presentes para a família do M.! Ai meu pai! Eu não os conhecia! O que uma brasileira leva de presente, à família do namorado inglês? PRODUTOS BRASILEIROS. Óbvio!
Colares de pedras, pulseiras, suplás de capim dourado! Uma perfeita amostra de quase tudo que tínhamos a oferecer. Pronto. Malas fechadas, código da mala anotado, passagem e passaportes em mãos, carta convite a posto, tudo pronto!
As mais de 10 horas de viagem foram poucas para o tanto que a minha cabeça trabalhava. Como será a Inglaterra? Quero ver castelos! A Rainha! Os príncipes! Quero tomar chá, às 5, por favor! Quero comer fish and chips, quero falar trousers ao invés de pants! Quero ir num pub jogar sinuca! Quero ver igrejas com mais de mil anos! Quero ficar confusa e insegura ao atravessar uma rua! Quem sabe até dirigir um carro!
Assim que o avião pousou em Heathrow as borboletas que moram no meu estômago começaram a se agitar! Elas estavam quietinhas até aquele momento. Agora não! Voavam para cima e para baixo, me deixando ansiosa e me fazendo pensar que a imigração da Inglaterra é uma das mais duras do mundo! Pronto, todo o meu sonho de conhecer as terras britânicas foram levados, agora me indagava SE iria conhecer um castelo, SE iria tomar chá! Nem precisava mais ser às 5!
No balcão, a mulher conferiu os documentos, passaporte, anotou alguma coisa na fichinha que tive que preencher no avião. Pronto. Pronto? Só isso! Deixe-me correr, antes que ela mude de ideia.
Na esteira das malas, como previsto, foi fácil achar minha mala, que continha uma faixa adesiva inspected. Abriram minhas malas, provavelmente pelos vários litros de cachaça e pedras trazidos. Não tive coragem de conferir se estava tudo lá. Afinal, se retiraram alguma coisa, não seria eu quem iria reclamar!
De malas em mãos, cachecol no pescoço e vestindo um casaco, fui em direção à porta. Aquele seria meu primeiro passo em terras britânicas!!! Vejo o M. me esperando, provavelmente estava mais ansioso que eu! Pronto! Rumo a Chichester!
No caminho, admito, fiquei completamente enjoada. A ideia de estar do outro lado da pista, com o motorista sentado no lugar do passageiro fez com que meu cérebro perdesse a noção de tempo e espaço me deixando completamente zonza. Decidi não prestar atenção na estrada, melhor olhar a paisagem.
Nada de castelos! Onde estariam as casas de pedras, de tijolinhos?  Por um bom tempo tudo que vi foram fábricas, galpões enormes!!! Onde estão as casas? Tentava não demonstrar minha decepção, mas com certeza o pai de M. percebeu. Me explicou que ali era a M25, uma rodovia, e que logo logo, entrariam em estradas mais charmosas.
Assim como prometido, comecei a ver bosques, casinhas coladas umas nas outras, casarões dignos de pertencer a qualquer filmagem de um livro de Jane Austin, casinhas de pedras!!! de tijolinhos laranjas!!! Ai Inglaterra, quanto tempo esperei para estar aqui! A cada lugarzinho que o carro passava meu rosto se iluminava, nunca imaginara que poderia me sentir tão bem em um lugar como aquele! Pensei em minha mãe, e como gostaria que ela tivesse ali comigo. Queria parar em cada cidadezinha e tirar fotos! Eternizar cada visão!
A medida que viajávamos, o dia ia se transformando em noite. As casinhas, que outrora podia ver suas cores, começavam a se iluminar. Com o anoitecer, a mágica se dera! Anoitecer não, entardecer. No inverno, as tardes perdem a luminosidade às 3 ou 4 da tarde! Me senti dentro de um conto de fadas. Ainda não havia visto nenhum castelo! Mas vi uma casa, com a luz da frente acesa, outros dois carros parados na garagem, e uma mulher, com cara de boazinha na porta, se abraçando para não morrer de frio. O carro em que estava entra na garagem. Desço e sou calorosamente abraçada por essa mulher, que logo me leva para dentro, fazendo com que os homens (M. e seu pai) peguem toda minha bagagem! Cheguei! Logo todo o processo irá se repetir. Diferente da primeira vez, o trajeto para a casa do M. será de trem. Dessa vez não vou esperar por rostos conhecidos. M. estará trabalhando. Mas não tem problema. Sinto-me como parte daquele país. As borboletas ainda moram na minha barriga, e sinto que algumas já começaram a acordar e já não me deixam dormir! Fazem meus pensamentos viajar longos caminhos, até chegarem naquela casinha, que hoje deve estar florida, e com a grama verde. Em breve, estarei na terra da rainha, tomando chá com leite (eca) às 4, e não às 5 como divulgado por ai! Provavelmente uma visita ao castelo de Arundel! E outros! Uma semana! 7 dias!
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4 pensamentos sobre “É aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar…

  1. Seu post, tão bem escrito, me fez lembrar da minha primeira vez na Inglaterra (e da segunda, da terceira, da quarta…). Ir prá lá sempre foi meu sonho, e Londres é até hoje um dos lugares que eu mais amo no mundo. Mas o mundo gira, e eu acabei criando raízes numa outra ilha…Desejo uma boa viagem. Um beijo,N.ps. nada melhor do que um bom chá com leite.

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