BH sob águas

Amo minha cidade. Sou atleticana, belorizontina e mineira acima de tudo. Infelizmente BH está se tornando uma nova São Paulo, no quesito chuva = alagamento. A minha memória mais antiga de enchentes foi quando, na Prudente de Moraes (avenida da região sul da cidade, onde existe um córrego em baixo dela, e também famosa pelas dezenas de bares), próxima ao posto com esquina da Rua Joaquim Murtinho, se tomou com água, cobringo parte de um ônibus. Era pequena, e por muito tempo fiquei sem saber de outros casos de enchente, com exceção de quando o Ribeirão Arrudas inundava só de cuspir nele.

Com o passar dos anos, apesar de todo os ditos trabalhos de contenção da água da chuva na região sul, as enchentes se tornaram mais comuns. Ano passado, meu padrasto ficou ilhado no prédio de seu escritório, que fica na Prudente de Moraes, por causa da água. No dia seguinte, deparei com cenas surpreendentes, como a de um Fox, novinho, em cima de uma lixeira, como que se alguém o tivesse jogado ali.

Mais uma vez, na mesma época do ano, BH encontra-se sob águas. Estou longe, segura, morrendo de frio, mas sem ter medo de deixar meu carro parado numa rua por causa de enchente. Mais uma vez, BH, a cidade que eu tanto amo, amanhece destruída, suja, com seus moradores perplexos. Nos jornais locais, tudo que se fala é em prejuízo causado pela chuvas, em enchentes, em prefeito visitando locais afetados.

Hoje, vi nos principais portais de notícias locais que o prefeito Márcio Lacerda vai decretar estado de emergência nas áreas afetadas. Cara, BH é uma cidade de cerca de 3 milhões de habitantes, e todo santo ano as otoridades deixam chegar nesse ponto.

Ano passado a Av. Cristiano Machado, que recentemente foi alvo de uma magnífica obra (Linha Verde), que prometeu mundos e fundos, apareceu sob águas, com pontos recém asfaltados completamente destruídos, and guess what, os mesmos pontos amanheceram, este ano, da mesma maneira!!!

O Sr. Prefeito, somente agora, depois de tantos danos, resolveu comprar um tal de um satélite que prevê a quantidade de água da chuva, ou coisa do gênero, mas na boa, Seu Prefeito, de que adianta saber o tanto de chuva que vai cair, se as ruas vão continuar alagadas, pequenos empresários vão continuar perdendo o pouco que tem, pessoas humildes vão continuar tentando salvar a televisãozinha, o colchão comprado em 10 prestações, e que seu dono, com muito orgulho vai tentar sair com ele na cabeça para não molhar. Imagino o tanto de vózinhas humildes que perderam o fogão quatro bocas, onde faziam o franguinho, um bolinho, que perderam a geladeira… Nem comento das roupas!

Acredito que meu manifesto não é solitário.  Acredito que cada pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade entenda que enchente não é só a resposta da natureza pela ação humana. Na boa, esse papinho é the oldest chestnut ever*. A que se faz, a que se paga. Não tem esse ditado? Se não investe em saneamento básico, canalização de córregos e rios, dá nisso.

Voltando a BH, é só analizar o caso da região da Avenida Prudente de Moraes. Lá é fundo de vale (ou algo do gênero). Se você está na Prudente de Moraes, e quer olhar em direção à rua paralela mais próxima, volta vai levantar a cabeça. Ou seja, você sabe que quando chove, a água corre DIRETAMENTE para lá. Então você prepara essa região para receber a chuva! Prevenção.

Parece-me que a Prudente AINDA não foi alagada esse ano. AINDA.

Estou apenas desabafando, talvez, num texto sem pé nem cabeça, que não será relido, para evitar ser um texto jornalístico, porque me cansei de assistir reportagens como esta, onde no final, depois de perder TUDO, de não ter NADA na geladeira, ela chora, mas sorri, o sorriso mais sincero que se pode ter. Ela não merece isso!

O tal FOX, já fora da lixeira.

O tal FOX, já fora da lixeira.

*old chestnut – conversa prá boi dormir, conversa fiada, papo, mentira, cao, “aham, senta lá, Cláudia”

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4 pensamentos sobre “BH sob águas

  1. Eii! Morei 10 anos em São Paulo, e como você mesma disse, era terrível conviver com cada uma dessas notícias. Aqui em Curitiba eu acho que não alaga não, pelo menos desde que mudei para cá!
    Beijos

  2. Como filho de Sampa, cresci acostumado com isso. Nunca senti na pele a água subindo, pois por sorte sempre morei em bairro alto, mas conheço muita gente que já perdeu tudo tantas e tantas vezes. Seu protesto não é mesmo solitário. É triste demais ver o lugar onde a gente nasceu e cresceu ser destruído assim. Pior ainda. É desesperador saber que esse tipo de calamidade acontece com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo…

  3. Eitxa, fiquei com dó das vozinhas também.

    Eu sou da cidade que mais chove no Brasil (pelo menos é que o povo fala), onde a humidade do ar por ano é em média 85%. Temos enchente, sempre temos. Já é de família….

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