Centimetragem…

Entao, prometi que iria contar como tá o regime. Ele tá bem, nao tá me dando muito trabalho nao. Na verdade, eu tenho que comer de tres em tres horas e tomar 2 litros de água por dia. Ai tá o problema. Eu até bebo água, mas 2 litros é muita coisa!

Nao posso comer pao frances com miolo, nem macarrao. Nem pizza! Mas pode comer arroz e feijao (SOMENTE se forem juntos). Tem uma estória ai que as proteínas do arroz e feijao juntos é melhor, blablabla. Nao reclamo! De jeito nenhum! Fui reclamar que sentia falta dum chicletinho, de um chocolatinho e ela me mandou tomar coisas de soja! Blergh! Só leite de soja e olhe lá.

E a centimentragem? Pan pan pan pan – 5 cm de circunferencia abdominal (que é o que interessa) e -3 de circunferencia bundal nos glúteos! OBA! Comemorem! Comemorem!

Anúncios

Educação turística

Guia prático de como se portar fora do país (leia-se Inglaterra)

Então, sou daquelas que me mordo de raiva com brasileiros esquecendo que tem o amanhã e se acabam em terras estrangeiras. Raiva mesmo. Tanta raiva que fingiria assumir o lado italiano do meu sangue e esquecer minha origem tupiniquim.

Se você não sabe se você é assim, leia as dicas abaixo para que, se eu te encontrar na rua, não tenha vergonha de dividir o mesmo país natal que você.

– LIXO: Muitos reclamam que não existem muitas lixeiras na Inglaterra, principalmente em Londres. O motivo é que as lixeiras podem ser esconderijos para bombas (lembre-se que lá é um lugar que está em constante risco de ataque terrorista). Então se você tem um lixinho em mãos, guarde até que aviste uma lixeira.

– FALAR ALTO: A não ser que você esteja em uma boate, pub, com música, que fica impossível de conversa em um tom de voz normal, não se deve falar muito alto, risadas muito alta, ou nada do nível alto. Se você estiver no tube mantenha silêncio, ou aquela conversa sussurrada, no máximo!

– FILA: Respeite a fila! Sério. Nada de ir pelas beiradas com o intuíto de entrar primeiro no ônibus. No tube é uma bagunça, mas se estiverem respeitando uma ordem, respeite também.

-FOTOS: você é turista, você quer tirar fotos, você quer ir na Abbey Road. Até ai tudo bem, mas cuidado para não atrapalhar o funcionamento da cidade. Já ouvi muito o “ah eles tem que esperar, eu só venho aqui um dia, eles estão acostumados com isso”. Não! Sério! Gente, respeitem!

– CHÁ: se você for convidado por alguém, a ir a sua casa, e ele oferecer chá (chá com leite), se você não tomar chá ou café, aceite o chá, e deixe-o lá. Finja que esqueceu dele!

– COMIDA: você tem todo direito de não gostar da comida inglesa, mas daí a ficar reclamando!

– CAIXAS: quando você vai a uma lojinha de conveniência, comprar o ticket do trem, ou qualquer outro tipo de estabelecimento que há uma fila para pagamento, recolha suas coisas e troco rapidamente. Se for necessário, pare fora da área do caixa e coloque o dinheiro na carteira, as moedas no porta níquel, a sacola na mochila. Não faça isso na bancada do caixa.

– PALAVRINHAS MÁGICAS: Para quem não tem costume, treine antes de sair de casa. Obrigado, licença, por favor são as palavras que você deve mais usar pelas bandas britânicas. Agradeça quando o garçon tomar o pedido, quando servir o refrigerante, quando pagar a conta.

*Can I have a pack of crisps, please?

*Would you mind telling me how to get to the Big Ben?

*Thank you!

*Cheers!

*Excuse me. Thank you”

*Sorry.

*Pardon me!

Certeza que se você seguir essas dicas, você será visto como um turista educado, e as pessoas serão mais solícitas em te ajudar, caso necessário.

 

Twinkle Twinkle

Havia mais de 20 anos que elas estavam lá. Uma constante lembrança do meu pai. Toda noite, elas me davam boa noite com e embalavam meu sono. Sono que me permitia sonhar, pensar, imaginar como seria minha vida, hoje, se meu pai, aquele homenzarrão que eu não consigo amar menos, não tivesse ido tão prematuramente.

Obviamente não teria dado tanto valor à elas.

Obviamente já teria dado adeus à elas.

Ah, quantas noites passei olhando para elas. Elas, que sempre causaram uma certa inveja em quem as vias.

Agora elas se foram. Doeu meu coração. Não quis vê-las partir. Meus olhos se tomavam por lágrimas só de pensar que para vê-las novamente, seria um esforço tão grande, e caro, que talvez não valha a pena. Era necessário deixá-las ir.

Não sou o tipo de pessoa que me apega à bens materiais. Claro, existe algumas coisas que guardo com carinho, como uma boneca que meu pai me deu quando tinha uns três anos. Lembro que ele voltou de Manaus, e me encontrou sentada na poltrona do quarto dele. Ele me entregou aquela boneca, loura, com suspensório e blusa branca, boné jeans e uma trança. Diferente das minhas outras bonecas, nunca mexi na traça daquela. Está intacta, como original. Ela não é de plástico, nem de pano. É um material diferente, o que a faz mais especial.

Mas elas, que se foram, hoje estão escondidas por uma camada de placas de gesso. Há mais de vinte anos, aquele homenzarrão colou, ao redor, do meu lustre de anjinhos (que existe desde sempre) uma constelaçåo (aquelas estrelinhas fluorescentes), com direito a foguete, estrela cadentes e vários pontinhos de luz. Têm luas, saturno. Há quem acredite que ele fez, inclusive, algumas constelações. Depois de tanto tempo é incrível que elas ainda brilham. Hoje não, estão na escuridão. Eu acredito que ele tinha o poder de ler o céu. Aliás, ele sempre foi um homem do céu. Piloto por opção, vivia nos ares, vendo todos de cima. Acho que ele jamais se adaptaria à uma vida onde a gravidade manteria seus pés grudados no chão. Cada dia um céu diferente. Já pensou em poder assistir, toda noite, a lua brilhando ali, bem a sua frente? Já pensou ter seu escritório a mais bela das vistas?

Sempre que entro em um avião peço, a ele, sua proteção. Imagino ele como um gigante, brincando com o avião. Segurando com suas mãos enormes aquele brinquedo. Sempre pude confiar nele. Acreditem. Já que cheguei aqui, vou contar-lhe um caso. Tudo verdade, há testemunhas.

Quando fiz 15 anos, ganhei de minha mãe, uma viagem à Disney. Seria minha primeira viagem ao exterior, minha primeira viagem sozinha. Fui com amigos. Não era a primeira viagem de avião que eu ia, nunca tive medo, trauma. Na volta ao Brasil, ainda em Nova Iorque, senti uma sensação ruim, e não consegui controlar minha angústia. Não queria embarcar naquele avião. Os aeromoços comissários de bordo tentavam me acalmar falando em espanhol, o que me deixou mais nervosa! Não sei falar espanhol! Sentei e minhas amigas seguraram minhas mãos, disseram que não havia problema algum. O avião começou a taxiar (andar em direção à pista) e de repente houve uma freada brusca. O piloto ligou os auto falantes e anunciou “Senhores passageiros, por motivo de segurança, e excesso de peso, voltaremos ao terminal”.

Obrigado paizinho!

Bom, quando às minhas estrelas, dei ordem aos gesseiros que não as danificassem. Elas nunca perderam seu brilho. Hoje estão no escuro, mas vai que, no futuro, uma outra família, com uma criança apaixonada pelo céu, as descubra (literalmente) e também tenham seu sono embalados por elas, como eu.