Parabéns Dona Pepeua!

Era uma vez uma linda moçoila, criada para ser dona de casa, não havia nem mesmo terminado seus estudos. Não era feminina, apesar de não sair de casa sem um batom nos lábios e brincos nas orelhas.

Casou-se por volta dos seus 20 anos de idade, com um senhor com cerca de 20 anos de idade a mais que ela. Talvez a diferença de idade tenha influenciado, em muito, em sua forma de viver. É meio cabeça dura, não gosta de ser contrariada. Envelheceu cedo demais.

Aprendeu a dirigir numa idade já considerada avançada, ganhou um GOL em uma rifa e daí suas pernas se alongaram e não havia quem fosse capaz de detê-la. Aliás, o termo mais usado entre aqueles que a rodeiam é “está para nascer quem fará com que ela pare”.

Mãe de 4 filhos, Mariana, Fatinha, Alberto e Lurdinha, os últimos gêmeos, assim como eu. Avó de 6 netos. Carol, Conrado, Ana Clara, Victor, Adriana e Izabela.

Sofre com dores, artrite aqui, reumatismo ali, um Alzheimer aqui, uma esperteza ali. Mesmo com o alemãozão na cuca não esquece que há alguns momentos você já conseguira arrecadar 20 reais de suas mãos. Eu mesma fiz o teste. O alemão deve ser judeu! Juro! Ela esquece seu nome, onde está, mas não esquece que te deu dinheiro… nem do Zeca Pagodinho! Aliás, apesar das dores que sente, tem um pique como poucos para ir num show do Zeca.

Paciência nunca foi seu forte, sabe. Na época das fitas, comprava nos extintos camelôs de BH fitas do Martinho da Vila, Agepê, e companhia. Íamos para o sítio ouvindo as músicas dela, mas se a fita não funcionasse, ela simplesmente retirava do toca-fitas, e arremessava pela janela emitindo um já conhecido “porrrrrrcaria”, bem assim, com um R de enrolar bem a língua!

Por diversas vezes declara seu amor incondicional aos netos, chegando a causar crises de ciúmes nos filhos. Ao invés de acrescentar um “amo vocês também”, bate o pé e enfatiza o amor incondicional aos netos.

A medida que as dores tomaram seu corpo, seu carro foi deixado de lado. Não pega mais a netaiada e vai para o sítio como fez por anos. Não cozinha mais o vatapá.

Hoje, em seu aniversário de 80 anos, não poderei passar por ela. Engole a lágrima porque ela está vivinha da silva. Mas, ela está no Rio, sendo cuidada por enfermeiras que já a adoram pelo jeito brabo de ser. Sendo medicada por médicos que se dedicam para fazê-la voltar para cá o mais rápido possível.

Sei que é complicado, as esperanças estão lá em cima, a festa de retorno, renascimento e aniversário está praticamente sendo planejada, mas neste momento quero que todos que pensem que ela é forte, e que, mais uma vez, vai mostrar a todos que é teimosa! Que não vai nos deixar, mesmo que no início tudo indicasse que o dia de hoje não fosse comemorado. Espero que ela, em seus sonhos, consiga sentir nosso orgulho em sermos descendentes dessa mulher de nome diferente, de personalidade forte e coração de manteiga.

DONA PEDROLINA, VOVÓ LINDA, QUE DEUS TE DÊ MAIS FORÇAS E TE PROPORCIONE MAIS LONGOS ANOS DE VIDA. QUE O QUE ESTEJA PASSANDO SEJA APENAS UM SUSTO, COMO OUTROS QUE LEVAMOS, E QUE VOCÊ MOSTRE A TODOS QUE É UMA “VELOSA”, BRAVA, E QUE AINDA ESTÁ LONGE DE NOS DEIXAR! SOU SUPER ORGULHOSA DE SER SUA NETA,

Com muitíssimo amor e carinho,

Ana Clara Veloso

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