Doando atencao

–          Você sabe onde fica a rua Ceará? No bairro Bonanza.

–          Segue a rua Direita.. e vai. É no final dela.

Uma plaquinha de madeira, com os números 920 pintados a mão, mostrava que aquela estradinha nos levaria ao Abrigo Aconchego do Céu.

17 crianças moram ali, provisóriamente. Chegaram ali por diversos motivos: abuso, maus tratos, abandono… Assim que você chega vê aquelas mini pessoas todas num canto, te olhando com desconfiança, te analisam, e logo no primeiro contato já ganha uma palavra de carinho: “nossa tia, seu cabelo é lindo! Olha como é liso!”. Na hora penso “é… os minutos no secador valeram a pena!”

Converso com um, pergunto o nome de outro, faço cóssegas na criança que senta ao meu lado mas ainda não olha no meu rosto. Uma lindinha com um sorriso enorme, um olhão super brilhante e cílios de dar inveja se aproxima e pede colo. É ela que cria um elo de confiança entre eu, Raquel e Tatá e as outras crianças. Quando dou por mim, já estou de pé cantando e dançando fui no mercado comprar jirimum, e a formiguinha subiu no meu bumbum… eu sacudi, sacudi, sacudi, mas a formiguinha não parava de subir.

Apesar dos diversos sacos de balas que preparei com muito carinho, eles não se importaram. Queriam nossa atenção. Um colo, um abraço apertado, um elogio.

M., a menininha do olhão, quase não tocou seus pés no chão. Foi de braços em braços durante as duas horas que passamos lá. L., um menino espertíssimo, lindo, não parava quieto. Queria correr, pular, brincar. A tia aqui não tem energia para correr, brincar e pular com 17 crianças, e L. valia por uns 4, sem brincadeira.

L. tem uma madrinha, que o busca em feriados, finais de semana e férias, e o leva para passear, passar um tempo fora do abrigo. Naquela noite, eles iriam viajar para a praia. Apesar de toda a excitação que uma viagem dessa possa gerar em uma criança de 5 anos, ao ouvir o chamado da madrinha para se despedir dos amigos, ele disse que não iria. Que queria ficar e correu para meu colo. Tive que falar que eu mesma já estava indo embora, e com a promessa que teria que voltar, L. aceitou ir.

Saimos de lá com o coração apertado. Como pessoas podem mal tratar, abandonar e abusar de crianças assim? Que mal uma criança dessas poderia causar para ser tratada dessa forma tão má?

L., era mal tratado. A mãe e seu companheiro usuários de drogas, o deixavam o dia inteiro na rua, até que foi atropelado, levado ao hospital. A polícia foi acionada e ao verificar as condições que ele e seu irmão,H., um garoto suuuuper inteligente, viviam, foram retirados do poder da família, e levados ao abrigo.

M., fora abusada pelo pai e mãe.

As outras crianças ou foram mal tratadas ou abandonadas pela família.

Quem quiser ajudar, o abrigo se chama Aconchego do Céu. O telefone é (31) 3642-8116. Eles precisam de doações: material escolar, sabão em pó, frutas, doações em espécie (dinheiro), comida e carinho!

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Um pensamento sobre “Doando atencao

  1. essas situações já me deixavam triste…agora que tenho uma filha, me doi ainda mais no coração saber que outras criancas nao tem a sorte de nascer numa familia estável e amorosa. bjs!

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