Old but gold

Sentei-me em um café, numa praça na região da Savassi, em Belo Horizonte, depois do almoço, para relaxar. As mesas do lado de fora ficam sob árvores, tem aquela sombra gostosa de praça, e o movimento da rua me levavam para longe.

Meus pensamentos foram interrompidos por um senhor, trajando um cardigan, boina e, apoiada no braço, uma bengala, dessas de madeira trabalhada, quase que de coleção. Ele perguntou se poderia pegar uma das cadeiras que estavam ao meu redor. Como não estava esperando ninguém, cedi a ele aquela cadeira.

Olhei para onde ele se encaminhava e me deparei com outros 4 senhores. Calculei rapidamente que, ao redor daquela mesa, haviam pelo menos 350 anos. Eles começaram a conversar sobre viroses e doenças que, nesta época do ano, são comuns, principalmente em pessoas mais velhas.

“O fulano não vem porque tá com uma tosse horrorosa. Disse que foi ao médico e ele receito um xarope. Nunca vi xarope curar tosse, o que cura tosse é chá!”

Diante daquela afirmação, uma imensa discussão começou. As melhores formas de se curar esses vírus que nos abatem durante o tempo seco, as melhores formas de se manter bem. Foi uma discussão válida, eu, que estou começando a sentir uma dorzinha de garganta chegar, já comprei alguns sachês de chá.

Em pouco tempo, a mesa com os 5 senhores foi ficando cada vez mais cheia. Percebia o movimento de garçons trazendo cafézinhos, pães de queijo, e outros quitutes que um café mineiro tem que ter.

Eram mais de 10. Quase 800 anos de experiência de vida. As conversas eram das mais diversas: fidelidade (apenas um fora eleito “fiel a vida toda”), o quão ridículo é classificar idosos como 3ª idade (“tem coisa pior que essas excursões ‘para 3ª idade’” – falou um), viagem sem os filhos (“já cansei desse ‘ah papai, espere até agosto, quando terei minhas férias e poderei acompanhá-los a Paris’. Quem ouve até pensa que meu filho que ir a Paris comigo, ele quer, na verdade, verificar se estou tomando meus remédios do coração. Ele acha que eu sou suicída”) e como o verão europeu é quente (“25 graus lá é pior que nosso 40 graus” falou o mais falante de todos).

Esse encontro durou pouco mais de 30 minutos. Uns chegaram no horário, outros um pouco mais atrasados. Mas todos foram (menos o fulano que está com a tosse hororrosa). O que mais me impressionou, no entanto, foi a ausência dos telefones. Não houve, se quer, um telefonema. Nem para cobrar do retardatário que ele está atrasado, nem para ligar para o fulano da tosse desejando melhoras, nem de outros amigos, nem de filhos, nem de mulher. Não havia um celular à mesa.

Senti saudades da época que para conversar com meus amigos, eu precisava encontrar. Quando foi a última vez que você ouviu “Quando te encontrar, te conto”? Estamos viciados em informações rápidas e instantâneas. Não é preciso encontrar com as pessoas para saber como elas estão, a cor do cabelo, se está namorando (até a cara do novo namorado, você já sabe, sem conhecê-lo).

Fiquei admirada por uma amizade que provavelmente dura desde a época da Hilda Furacão e dos bailes no Minas Tênis Clube.

Desde aquela paradinha pro café, repensei a forma de lida com meus amigos. Menos telefone, mais encontros, menos internet, mais fofoca, menos whatsapp, mais café, menos “vamos marcar”, mais vinho.

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Challenge #1 – DONE

Sou daquelas que faz mil projetos e acaba largando-os no meio do caminho. Não por opção, mas é que ao longo do tempo, as coisas ficam chatas, entediantes.

Ai apareceu a corrida na minha vida. Não é que eu não conhecia, mas não sabia como começar, quando, onde. Agora eu já sei.

E hoje, há algumas horas, completei a primeira corrida. 5 km. Pouco? Corre 5 km pra voce ver hahaha

Lagoa da Pampula - 7 horas da manha

Lagoa da Pampula – 7 horas da manha

Gabriel - personal que fica ouvindo minhas lamúrias.

Gabriel – personal que fica ouvindo minhas lamúrias.

Sugar, oh honey honey

Há algumas semanas, lendo meu jornal britânico favorito (the sun, para reclamar, clique aqui) me deparei com uma matéria digna de Fantástico.

Uma linda donzela, no alge dos seus 21 anos, que admitiu para todo o mundo que era sustentada por um sugar daddy.Não, sugar daddy não é filhinha do papai (isso seria daddy’s girl). O significado desse termo é bem mais obscuro.

Quem aqui não conhece alguém, que de alguma forma, é sustentado por outro: marido por mulher, mulher por marido, filhos pelos pais, menina solteira por homem casado. Normal né?! A não ser o último ali. Menina solteira por homem casado.

O sugar daddy é o homem (oke, não necessariamente) casado, com muito, mas muito dinheiro, que vive uma relação com a esposa (ou não) sem amor (é o que dizem), e que, por causa dos filhos, de não querer desmontar a instituição familiar (ahh, é por uma boa causa!!), preferem buscar mulheres (interesseiras), para poder satisfazer alguma coisa que lhe falta em casa.

Eles pagam faculdade, roupas caríssimas, jantares nos melhores restaurantes, apartamento, tudo! Absolutamente tudo, para ter a companhia das meninas. Algumas falam que somente suprem a carência do senhorzinho, que não há nada sexual na relação, outras clamam que iniciou-se por interesse mas que o senhorzinho era um xuxuzinho e que agora, elas definitivamente sentem alguma atração por ele (aham).

Num mundo de valores tão invertidos, alguns homens, com a desculpa de preservar a instituição familiar, de preservar os filhos, preferem manter um relacionamento (com ou sem cunho sexual) com uma outra mulher, ao invés de pregar a honestidade e a verdade e terminar um relacionamento fadado ao fracasso.

É um relacionamento mentiroso, onde o sugar daddy não pode assumir a outra, e a outra não pode ter um relacionamento verdadeiro. É um relacionamento comparado a prostituição (quem sou eu para julgar, mas que tipo de relacionamento é aquele que o homem paga e a mulher oferece algum prazer, ainda que só o prazer de sua companhia?).

Fico triste em ver que está cada vez mais comum pessoas que aceitam se envolver dessa maneira. Pior ainda, que acham que este tipo de relacionamento é a solução para quaisquer de seus problemas.

E te contar uma coisa, tenho conhecidas que se cairem numa dessas, vão amar!

Mãos ao alto!

Adoro polícia. Lembro-me quando fui, pela primeira vez a Santos, visitar uma prima, e ela me falou que nao era seguro andar muito próximo a policiais, que não eram todos que eram ruins e sem caráter, mas é que nao dá para arriscar né!? Oi, me perguntei mentalmente, vez que já temia pela minha segurança, e era melhor seguir as indicações de uma “nativa”, do que passar por turistona e me ferrar.

Assisto semanalmente, religiosamente, inclusive quando na Inglaterra (através do site da Band) Polícia 24h. Acho sensacional. Adoro os “COPOM”, “QSL”, e outras gírias de malandros que os policiais falam (aliás, será que para ser policial tem que ter aula de gíria de malandro? Será que se eu falar com um malandrão “Você está preso” ao invés de “a casa caiu” ele vai entender? Sério!).

Mas então, ontem, passeando pela minha bela Minas Gerais  fazendo diligencia em uma cidade no interior de Minas, onde inclusive minha família tem um sítio, um carro de polícia pára (ops agora não tem mais acento) para e dele descem 3 policiais com armas em punho. Obviamente parei o carro, até tentei dar ré, mas mesmo numa micro cidade como Matozinhos, com a abertura e facilidade de crédito, a compra do carro não mais é um sonho impossível, o tráfego de carros e intenso, não pude voltar com o carro vez que a rua encontrava-se abarrotada de outros veículos (incluindo charretes, bicicletas, cavalos e cachorro – porque vai ter cachorro de rua assim lá em Matozinhos viu?!).

Havia policiais dos dois lados da rua, uns 8, todos com armas em punho, apontando para o motorista e dois passageiros do Pálio que trafegava logo afrente de mim. Decidi não avançar com o carro, com medo de que, numa troca de tiros, algum projétil atingisse a lataria do meu amado Fox (that’s why I am a foxy lady há), e eu tivesse que arcar com todo o prejuízo, mesmo com um dos policiais acenando para mim para que eu prosseguisse. “tá locão” pensei com meus botoes. Qual era a chance de eu passar com meu carro, no meio de uma operação policial, com 8 policiais armados apontando as armas em direção a rua, que coincidentemente era meu caminho? ZERO né?!

Acreditem se quiser. O sr. Policial veio em minha direção e me deu uma ordem para seguir pois EU estava atrapalhando o transito. Falei que não iria seguir, pois não sabia do que se resultaria daquela operação com tantas armas envolvidas e os suspeitos ainda dentro do carro com insulfilm roxo. Ele falou então que, diante da minha recusa, iria me multar! OI? OI? OI? vem prá quebrar kuduro, vamos dançar kuduro. Sério! Levei uma multa, porque não quis prosseguir com meu carro, adquirido sem essas facilidades de crédito, no meio de uma operação policial, que deslocou 3 viaturas, totalizando 8 policiais militares, com armas em punho, e suspeitos dentro do carro, sem que pudéssemos ver o que estavam fazendo.

Durma com essa sociedade!

Atttccccchhhiiiimmmm – booom

Quem conhece o interior da Inglaterra, como essa que vos fala, sabe da beleza que é aqueles campos lindos e verdejantes, todos quadriculadinhos, e de tons variados que vão do verde clarinho até o mais marrom dos tons de terra.

Mas aí o verão se aproxima. Os campos florecem, e como vocês aprenderam na aula de ciências, há a polinização. Se você não lembra o que é, você deve lembrar daquele filme “Querida encolhi as crianças”, que o menino mais novo tem uma crise alérgica por causa do pólen das florzinhas bonitinhas e coloridas.

Então, lendo o the sun um jornal de grande circulação no Reino Unido, me deparo com a seguinte manchete.

 Resolvi lê-la. O que acontece naquelas terras é o seguinte. Não há dúvidas que na Inglaterra chove, apesar do país estar sofrendo com uma grande seca, a maior de décadas. Essas chuvas de abril/maio acontecem durante a primavera e fazem com que no verão as flores se abram. Com mais chuva nesse período, mais flores. Mais flores, mais pólem. Mais pólem, mais acidentes de trânsito. Oi?

Bora lá. Hay fever, a alergia ao pólen, é super comum na Inglaterra. Bom, hay fever de nada tem de febre (febre), e nem de gra

ma (hay). Causa muitos espirros, dor de cabeça… É nada mais nada menos que Rinite alérgica.

Mas e os acidentes de trânsito? Uma empresa de seguros fez uma pesquisa e descobriu que quem sofre de hay fever toma remédios para anular os sintomas, e acabam ficando lerdinhas. Daí, bummmmm, causam acidentes. No mesmo estudo, eles contabilizaram que para cada 45 minutos dirigindo, 1 minuto é de olhos fechados por causa dos espirros.

Tenho coragem nao.

Então, hoje tive que dar uma saidinha do escritório para resolver algumas coisas, e passei próximo ao cemitério onde está enterrado meu paizinho e minha avó, mãe dele. Na hora que me dei conta que estava próximo do cemitério, pensei em ir lá “visitar” meu pai. Mas daí, fiquei com peso na consciência em não ir ao túmulo de minha avó.

Quando ela faleceu, não podia fazer a exumação, e tivemos que adquirir um espaço numa área nova do cemitério. Só que eu tenho medo de ir lá sozinha. Não.. não é medo de alma penada, nem de pessoas que possam ter sido enterradas vivas e ai finalmente conseguem cavar their way out e esbarram no meu pé nada disso. É porque tem uns maloqueiros, nóias que pulam o muro, roubam as florzinhas e já até ouvi falar saem correndo atrás do povo todos sujos de terra, falando que são zumbis (não pode rir… vai que acontece com você?! Imagine o susto!!!).

Mas então, comecei a sentir uma culpa: se fosse no cemitério, teria que ir nos dois túmulos, ou iria aborrecer meu pai e avó. Não poderia ir somente em um. É como visitar a família que mora no interior, ficar na casa de uma tia e não visitar a outra. Já imaginaram o furduncio? A confusão? O tititi, o disse não me disse, a fofocaiada… vish!!! Passei reto da entrada para o cemitério.

Mas ai fiquei pensando: que bizarro é o ser humano. Mesmo com a morte das pessoas, continuamos a nos importar em não os magoar. Não é incomum escurtamos de alguém “ah, mamãe, se tivesse viva, não iria gostar disso”. Ou como aconteceu comigo. Fiquei com medo em magoar minha avó por não ir a seu túmulo.

É muito difícil nos desligar das pessoas. Ainda que elas estejam mortas. Não deixamos de pensar nelas, e às vezes, até conversar com elas, na esperança de escutar uma resposta.

Já tinha visto diversos documentários sobre o culto à morte, mas parando para pensar é super bizarro não é!? Acho louvável o velório, últimas homenagens, mas passou desse ponto fica meio bizarro. O que será que nos leva a agir com tamanho respeito à opinião de pessoas que nem neste mundo mais se encontram. Não, não podemos comparar a forma que agimos com medo do “julgamento final”.

Quando era pequena, com uns 7 ou 8 anos de idade, colocava uma toalha por cima do box do banheiro, porque eu ficava com vergonha, afinal, todos falavam tanto que meu pai me observava lá de cima, isso significava que ele poderia me ver tomando banho, certo!? Não sei o que me fez esquecer dessa ideia louca, mas com certeza ficou na minha cabeça de tanto que as pessoas falavam sobre meu pai estar comigo, me olhar lá de cima.

Credo!!! Que culto mais estranho que temos. Obviamente, em nada isso enfluenciará nas minhas idas ao cemitério, e a visita a ambos os túmulos, afinal, quem em sã consciência magoaria a avó?!

I would never do that

15 dias já se passaram (na verdade estou na terceira semana), e os benefícios já estão aparecendo. A descamação só aparece quando a pessoa aqui insiste em usar maquiagem e retirá-la com removedor de maquiagem que tem álcool (por que o sem álcool é caro pra chuchu).

É verdade. Minha pele está bem mais sensível a tudo! A maquiagem, a qualquer outro produtinho. Evito, ao máximo, o uso de qualquer coisa que não fora indicada pelo Dr. Pele (não vou ficar fazendo propaganda de graça, porque, né, não estou aqui para isso).

 Outro dia, insisti em usar um adstringente (podem jogar suas pedras, mas para quem sempre teve mil produtinhos de pele, abrir mão de todos AO MESMO TEMPO, é um processo longo e doloroso), pronto, no dia seguinte, a pele descamava de tal forma, que parecia o início do tratamento.

Já aprendi a usar o protetor solar diariamente. Nisso eu estou super rigorosa. Nunca gostei de marquinha de biquíni e bronzeado de sol (quem é branquinha como yo, sabe que não fica legal, melhor admitir a branquidade e colocar uma saia curta pra mostrar as pernocas brancas e chocar a sociedade).

Ainda faltam algumas etapas do tratamento, mas a maciez e o aspecto da minha pele está inúmeras vezes mais agradável e mais fina.