Várias e várias sombras…

Havia lido diversas críticas sobre esse livro, 50 shades of grey, que a que tudo indica fora traduzido para 50 sombras de cinza (sendo que se trata do sobrenome de um dos personagens principais do livro – ai ai traduções tupiniquins só me decepcionam), e precisava ler pra saber se era realmente tudo que falavam por ai.

De cara fui levada para um mundo extraordinário. Não extraordinário, no sentido bom, mas no sentido de EXTRA ordinário, fora do comum, além.  Um mundo onde, de verdade, preferiria não existisse.

Classificado pela crítica como soft porn, ou mesmo “mummy’s porn” o livro deveria mexer com a libido das mulheres, e fiquei impressionada ao descobrir que esse furdúncio, classificado até como “mommy’s porn”, é a relação de dominador e escrava sexual. É isso mesmo?

O casal protagonista é formado por um sadista e uma menina inexperiente, virgem, e que se apaixona por ele. Ele a trata muito bem fora de sua vida sadista, mas a impõe uma espécie de relacionamento cheio de regras e punições. Ele proporciona tudo para ela: roupas caras, carro, proteção.

O livro, com toda a repercussão, me fez pensar se algumas mulheres, na verdade, sentem falta daquela época que o homem era o chefe da família, que impunha regras, e que não restava nada à mulher a não ser obedecer as regras. Uma época não tão longínqua, antes da revolução feminista, antes da mulher obter os direitos iguais, e toda aquela coisa que veio com isso.

Longe de mim criticar o livro com um ponto de vista feminista. De jeito nenhum! Fui criada pela minha mãe que teve que “sair pra trabalhar” diante do trágico acidente com meu pai. Sei o que é uma mulher forte, sei da importância dos direitos adquiridos pela mulher e, talvez por isso, tenha me surpreendido pelo fato deste livro, que trata da submissão da mulher ser alvo de tamanho sucesso.

Acho qualquer “ismo” uma perda de tempo. Eles só servem para dar confusão. Confusão sim, porque não só de feminismo vivem as mulheres como, não só de machismo vivem os homens. Ai diante duma afirmativa feminista de algum assunto, vem um (ou uma) machista e faz um comentário contrário e ai a canseira começa (por que vou te falar, discussão – normalmente online –  de ismos é chata prá dedéu). Nada muda, ninguém começa a respeitar a visão do outro nem nada. Mas fiquei intrigada. E uma das minhas questões com o 50 shades é exatamente as pessoas não discutirem a forma do romance do casal, e sim a maneira. Os comentários são mais pela forma bruta, porém sexy para alguns, que ele trata a menina, e não o tipo de relacionamento, o do BDSM – bondage, disciplina, dominação e submissão, sadismo e masoquismo.  Isso sim seria, para mim, motivo de causar tamanho furor. Nunca havia ouvido falar de um Best Seller literário que trazia o BDSM de forma tão explícita. Esse é o primeiro. Único? Alguém sabe?

Sobre o livro, o que posso dizer é que ele prende o leitor (apesar de acreditar que boa parte, senão todo seu público seja feminino), e a curiosidade de saber o que essa menina vai fazer da vida dela fazem com que você (ou eu), leia o livro em menos de 48 horas. 372 páginas, em inglês, no meu Kindle app.

Não sei se indico esse livro a alguém, mais por pudor do que por não achar o livro worth reading. Mas quem quiser, por livre e expontânea vontade (ou curiosidade), ele custa cerca de U$9.50 (dólares mesmo) no site da Amazon para Kindle. Quem não tem Kindle, mas tem iphone, ipad ou ipod, pode baixar o app na App Store. For free. O livro no Brasil só deve chegar em Agosto, quando, com certeza, todo o furor terá sumido, e com a terrível tradução do título para 50 sombras de cinza. Friggin title translators!

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3 pensamentos sobre “Várias e várias sombras…

  1. Tenho visto muuuuuitos comentários sobre o livro aqui. Ficou pop demais! Mas foi só há duas semanas que parei pra ouvir de verdade e me dei conta do que era… Curioso isso fazer tanto sucesso, né? Fiquei surpreso. E também estava ansioso pra saber como seria a tradução…. 😦
    bjo

  2. 🙂 finalmente um blog pra postar de maneira honesta sobre o best seller do momento. Eu ja vi aqui na Espanha e na Inglaterra ponto de vista diversificado. A definição “mummy’s porno” que fuerte! Da a entender q as mummy’s por tédio ou o q seja, perde o tempo com uma leitura tão clichê , homem rico, mundo material, dominação e sexo. Rotular como “mummy’s porno”, parece q rotula. Enfim, sexo vende, razão do best seller ta ai. Mas o “x” da questão nao e escrever sobre sex e colocar no mercado. Nao. O q envolve a imaginação e atenção feminina em certos meios , e sexo , mas nunca com um pobre mortal , mas “Rich”, o filme “Pretty woman” por exemplo, sendo q de um modo mais romântico. A própria autora do livro, disse q escreveu baseando-se na própria fantasia sexual que ela tinha (detalhe: ela e casada), independente de opiniões, a critica a respeito do livro, atinge as mummy’s de uma forma negativa, bom, essa e a minha opinião 🙂 xxx

  3. Oi! Eu acabei de ler o livro ontem e concordo em grande parte com o que você escreveu. O livro é cativante – eu li em apenas um par de dias – mas acho que não vale a pena o dinheiro que se gasta nele. Eu levei emprestado de uma amiga, e ainda bem. Beijo

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