Meu sonho

Quando penso em definições para a sonho são três que vem, imediatamente, a minha mente: 1. quando nosso corpo se desliga deixando a nossa mente a mil por hora; 2. desejo intenso, real, puro e finalmente, 3. sonho de padaria (não posso negar a existência dele rs.).

Creio que todos nós somos movidos a sonhos. Seja ele qual for. Imaginem um menino, morador de uma favela, que ve a mãe acordar todo dia as 4 da manhã para pegar dois onibus, com destino aos dois empregos que tem. Ela chega em casa e ainda, com as forças que lhe restam toma conta do menino. O menino SONHA com uma vida melhor. SONHA em dar a mãe uma casa, longe da favela. Uma casa com um quarto para cada (nada mais de dividir a cama de solteiro com a mãe e a irmã mais nova), uma cozinha grande, uma sala de jantar, de visitas, e quem sabe uma sala de televisão. Um banheiro, dentro de casa!

Para alcançar o SONHO o menino dedica-se ao estudo, afinal sua mãe sempre disse que somente com estudo você pode conseguir algo, que o estudo é uma coisa que ninguém pode tirar de você. O menino leva a sério, cresce e não deixa de lado o SONHO. Sabe que para alcança-lo deverá se esforçar ainda mais. Como que por um milagre, passa no vestibular de medicina, faculdade pública. Estuda de dia e a noite trabalha limpando alguns escritórios. Suou cada centavo para poder comprar o primeiro sapato branco de couro. O estestocópio foi presente da turma.

O menino forma-se, consegue um ótimo emprego. Compra a casa. Anos de sacrifício para finalmente alcançar o sonho. Sonho realizado, e ai? Imaginem como seria amarga a vida de uma pessoa que não tem nenhum sonho a buscar? Uma pessoa que diz já ter conquistado tudo. O menino sonha. Sonha em ver outros meninos conseguirem realizar seus sonhos.

Nunca ouvi falar de sonhos fáceis de se alcancar. Muito pelo contráio. Há esforço, dor, luta. Alguns sonhos só se realizam se abrirmos mão de outros sonhos. Sonhos que não são nossos. As vezes provocando dor, mas que com certeza recompensada com o resultado. Não existe sonho pequeno. Não existe sonho bobo. O sonho é meu, e só eu sei o quanto ele significa para mim.

Quantas pessoas sentem-se envergonhadas do sonho que tem? Quem aqui já abriu mão de um sonho por acha-lo bobo demais.

Sonhava em estar aqui, junto ao M. Para isso, só Deus sabe o tanto de coisa que tive de abrir mão, o tanto que sofri pela distancia (agora recompensada), por amigos que não entendiam e nao botavam fé, pelas fofocas, pela falta de apoio. Segui em frente. Não posso dizer que o sonho está completo. Afinal, meu sonho será completo quando estiver casada, quem sabe com filhos. Enquanto isso, vou lutando por ele. Como todos deviam fazer.

Cada um por si, e a internet contra todos

Antes de comecar o post, queria pedir desculpas a lingua portuguesa por assassinar os acentos, cedilhas, crases. Infelizmente, no pais da rainha, o teclado nao os reconhece, por isso o assassinato. Meu conhecimento em tecnologia e restrito de tal forma que nao consigo defende-los e coloca-los em meus textos, mesmo que suas vidas dependesse disso.

Ontem, enquanto jantava com a familia do M. o pai dele comentou sobre um video que ele havia visto no youtube. Tratava de uma baleia que pulou sobre um barco. Segundo o pai do M. logo apos o incidente, havia sido divulgado fotos do ocorrido. Dias depois, havia um video.

Qualquer pessoa hoje tem um celular com funcoes de camera, video, acesso a internet. Qualquer coisa que ocorre, tiramos uma foto e publicamos no twitter, facebook.

Lembro-me quando orkut era febre nacional. As fotos ja nao eram para eternizar momentos, e sim para serem postadas no album da rede social. Quem nunca disse “ essa vai para o orkut”! Os albuns de fotos impressos sao reliqueas. Quem aqui imprime as fotos que tira? Logo apos as ferias, no colegio, cada grupinho se amontoava num canto do colegio com albuns de fotos de viagens, de aniversarios, de festas! Hoje publica-se em redes sociais. Ah, sem contar da pressao que os amigos fazem com mensagens praticamente ameacadoras “coloca as fotos no orkut logoooooo!!!!”

Admito, sou da geracao “sem privacidade”, apesar de exigi-la em casa. Meu quarto, meu dominio! Sou usuaria de twitter, facebook, orkut, blog… Nos ultimos 4 anos, minha vida esta praticamente toda registrada em sites de relacionamento pela internet. Nao entendo essa necessidade minha de divulgar o que se passa comigo. Talvez seja uma carencia. Talvez nao… tenho certeza. Acho que essa geracao a qual me referi anteriormente como sendo geracao “sem privacidade” seja, na verdade, uma geracao carente, dependente de atencao. Que busca no interesse de estranhos em sua propria vida a atencao nao conseguida no meio que vive. Ufa, quase uma sociologa! Mas pensem comigo. Nas geracoes passadas, os pais tinham mais presenca na vida dos filhos. Minha mae, por exemplo, so teve a chave de casa quando casou, e obviamente, conquistou seu proprio canto. Dependia muito de minha avo, que tinha que leva-la na escola, festas, buscar aqui, acola. A mae que fazia as refeicoes, todos se sentavam a mesa. Hoje, raras sao as familias que ainda mantem a tradicao de sentar a mesa para, pelo menos, uma refeicao em familia por dia. Acredito que eram nesses encontros que surgiam as perguntas tais como “como foi seu dia”, “se divertiu na festa ontem”?
Nossa necessidade de nos divulgar talvez seja reflexo dos novos tempos. Cada um por si, e a internet contra todos. Creio que, como tudo na vida, esse seja apenas um ciclo. Na proxima geracao, os pais voltarao a se dedicar as familias, acredito que a tecnologia nao perdera seu lugar. Novas redes sociais serao criadas, e mais publica sera nossas vidas, mas acho que a necessidade de sermos vistos por estranhos mudara. E digo isso com uma explicacao. Pense no inicio do orkut. Quanto mais amigos tinhamos, melhor era. Com o passar do tempo comecamos a restringir. So adiciono quem eu conheco, fotos bloqueadas para estranhos, mensagens somente para amigos. Comecamos a deletar quem nao conheciamos de nossas listas, e o que eram 400 amigos se enxugou e tornou-se miseros 100.

Olhando para trás…

Há um ano, eu estava sentindo pena de mim mesma. Coloquei todas as fichas em um relacionamento à distância, construí sonhos, tive visões de meu futuro, filhos, netos. Tomar conta de um jardim, cheio de flores, preparar o jantar para quando o marido chegasse em casa, não tivesse que fazer mais nada, apenas tomar um banho, relaxar e jantar comigo. Sim, na minha mente, seria uma Amélia, e seria feliz.
Vi todos os meus planos ruirem à minha frente quando o M. falou que não tinha certeza do que sentia, que era melhor não empurrarmos o relacionamento com a barriga, pois não chegaria a lugar nenhum. BUM! Acho que senti como se tivesse sido atropelada por um tanque de guerra, sem possibilidade de sobrevivência. Achei que, por ele estar meio confuso, estando presente na vida dele, ele poderia mudar de ideia e voltar para mim. Doce engano.
Por algumas semanas tentei ser a amiga, aquela com quem ele podia contar… mas com o passar dos tempos percebi que de nada adiantaria. Naquele momento, a única coisa salutar para ambos seria não ter mais qualquer relacionamento. Eu não conseguia me desvincular. Nossa relação sempre foi à distância! Então, na prática, não havia mudado nada! Continuávamos conversando muito pela internet, sempre em contato…
Decidi, depois de ouvir dele, que estava interessado em uma menina, que iria acabar com meu sofrimento. Deletei de orkut, msn, facebook, skype. Deletei o número do celular (apesar de saber de cor). Pronto. Pronto? Pronto não… estava perdida! Não sabia como me comportar! Agora eu poderia sair, conhecer pessoas e me jogar! Se achasse um cara bonito, podia dar bola, cruzar olhares…
Senti falta, óbvio, mas precisava daquele tempo. Pelo menos para ter certeza absoluta que, apesar dos pesares, ainda era louca por aquele inglês, branquelo, e cheio de manias! Mas e ele?
Passaram-se uns 7 meses e um dia recebi uma mensagem dele “bought my ticket to brasil! Thinking bout goin to BH!” Como assim?! Ele está vindo?! Pra Belo Horizonte? Vai ficar na casa de quem? Quem vai buscá-lo no aeroporto? Quem vai passar o tempo com ele? Na hora respondi a mensagem! Claro! A curiosidade e a alegria tomaram conta da minha razão. Agia somente com emoção. Passaram quase uma hora para a resposta dele “Getting in BH on the 22nd of jan.” Ele chegaria em BH no dia do meu aniversário! Nao pude evitar de pensar vai vir embrulhado para presente também?

Enquanto a data não chegava, voltamos a conversar. Eu, orgulhosa, tentava me manter distante, mas como fazer isso por muito tempo? Não consegui me segurar no pedestal de não ligo para o que você faz, ou deixa de fazer, claro que eu ligava. E muito! Senti que ele queria voltar. Ele não viria à BH para passear! Ele veio para conversarmos, para decidirmos nossa vida. Foi necessário a distância, minha aparente indiferença para que ele percebesse o que sentia.
Não dá para continuar amigo de uma pessoa que você ama e não é correspondido! Ou o amor acaba para os dois, e vocês conseguem conviver sabendo que ela poderá sair e namorar outras, ou não. Eu tentei. De verdade! Mas não pude suportar a ideia de dar conselhos sobre a vida amorosa de M. Isso seria demais para mim!
Agora estou aqui! Feliz pela decisão que eu tomei há um tempo. Feliz, também, pelas consequências que minha decisão chegou. Faltam SEIS dias! Seis!

Nobody said it was easy
it’s such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No on ever said it would be this hard

Oh take me back to the start

Cold Play – The scientist

É aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar…

Lembro-me como se fosse ontem da primeira vez que embarquei rumo à Inglaterra. Houve todo um processo pré embarque, a começar pela compra da mala. Não tinha nada que coubesse todos aqueles casacos e roupas de inverno que teria que levar para não sofrer de hipotermia. Comprei uma mala vermelha (para ser fácil de achar na esteira do aeroporto, afinal 90% das pessoas tem malas pretas #ficadica), enorme, com vários zíperes, cadeado embutido, divisões!! Perfeita para a ocasião. Agora precisava selecionar as roupas e acessórios e recheá-la com meus pertences. Presentes para a família do M.! Ai meu pai! Eu não os conhecia! O que uma brasileira leva de presente, à família do namorado inglês? PRODUTOS BRASILEIROS. Óbvio!
Colares de pedras, pulseiras, suplás de capim dourado! Uma perfeita amostra de quase tudo que tínhamos a oferecer. Pronto. Malas fechadas, código da mala anotado, passagem e passaportes em mãos, carta convite a posto, tudo pronto!
As mais de 10 horas de viagem foram poucas para o tanto que a minha cabeça trabalhava. Como será a Inglaterra? Quero ver castelos! A Rainha! Os príncipes! Quero tomar chá, às 5, por favor! Quero comer fish and chips, quero falar trousers ao invés de pants! Quero ir num pub jogar sinuca! Quero ver igrejas com mais de mil anos! Quero ficar confusa e insegura ao atravessar uma rua! Quem sabe até dirigir um carro!
Assim que o avião pousou em Heathrow as borboletas que moram no meu estômago começaram a se agitar! Elas estavam quietinhas até aquele momento. Agora não! Voavam para cima e para baixo, me deixando ansiosa e me fazendo pensar que a imigração da Inglaterra é uma das mais duras do mundo! Pronto, todo o meu sonho de conhecer as terras britânicas foram levados, agora me indagava SE iria conhecer um castelo, SE iria tomar chá! Nem precisava mais ser às 5!
No balcão, a mulher conferiu os documentos, passaporte, anotou alguma coisa na fichinha que tive que preencher no avião. Pronto. Pronto? Só isso! Deixe-me correr, antes que ela mude de ideia.
Na esteira das malas, como previsto, foi fácil achar minha mala, que continha uma faixa adesiva inspected. Abriram minhas malas, provavelmente pelos vários litros de cachaça e pedras trazidos. Não tive coragem de conferir se estava tudo lá. Afinal, se retiraram alguma coisa, não seria eu quem iria reclamar!
De malas em mãos, cachecol no pescoço e vestindo um casaco, fui em direção à porta. Aquele seria meu primeiro passo em terras britânicas!!! Vejo o M. me esperando, provavelmente estava mais ansioso que eu! Pronto! Rumo a Chichester!
No caminho, admito, fiquei completamente enjoada. A ideia de estar do outro lado da pista, com o motorista sentado no lugar do passageiro fez com que meu cérebro perdesse a noção de tempo e espaço me deixando completamente zonza. Decidi não prestar atenção na estrada, melhor olhar a paisagem.
Nada de castelos! Onde estariam as casas de pedras, de tijolinhos?  Por um bom tempo tudo que vi foram fábricas, galpões enormes!!! Onde estão as casas? Tentava não demonstrar minha decepção, mas com certeza o pai de M. percebeu. Me explicou que ali era a M25, uma rodovia, e que logo logo, entrariam em estradas mais charmosas.
Assim como prometido, comecei a ver bosques, casinhas coladas umas nas outras, casarões dignos de pertencer a qualquer filmagem de um livro de Jane Austin, casinhas de pedras!!! de tijolinhos laranjas!!! Ai Inglaterra, quanto tempo esperei para estar aqui! A cada lugarzinho que o carro passava meu rosto se iluminava, nunca imaginara que poderia me sentir tão bem em um lugar como aquele! Pensei em minha mãe, e como gostaria que ela tivesse ali comigo. Queria parar em cada cidadezinha e tirar fotos! Eternizar cada visão!
A medida que viajávamos, o dia ia se transformando em noite. As casinhas, que outrora podia ver suas cores, começavam a se iluminar. Com o anoitecer, a mágica se dera! Anoitecer não, entardecer. No inverno, as tardes perdem a luminosidade às 3 ou 4 da tarde! Me senti dentro de um conto de fadas. Ainda não havia visto nenhum castelo! Mas vi uma casa, com a luz da frente acesa, outros dois carros parados na garagem, e uma mulher, com cara de boazinha na porta, se abraçando para não morrer de frio. O carro em que estava entra na garagem. Desço e sou calorosamente abraçada por essa mulher, que logo me leva para dentro, fazendo com que os homens (M. e seu pai) peguem toda minha bagagem! Cheguei! Logo todo o processo irá se repetir. Diferente da primeira vez, o trajeto para a casa do M. será de trem. Dessa vez não vou esperar por rostos conhecidos. M. estará trabalhando. Mas não tem problema. Sinto-me como parte daquele país. As borboletas ainda moram na minha barriga, e sinto que algumas já começaram a acordar e já não me deixam dormir! Fazem meus pensamentos viajar longos caminhos, até chegarem naquela casinha, que hoje deve estar florida, e com a grama verde. Em breve, estarei na terra da rainha, tomando chá com leite (eca) às 4, e não às 5 como divulgado por ai! Provavelmente uma visita ao castelo de Arundel! E outros! Uma semana! 7 dias!