Eu tolero, tu toleras, ele é intolerante

Intolerância.

Não estamos livres dela. Há intolerância na medicina (intolêrancia à lactose, à camarão), na escola (quando o atraso não é perdoado), no trabalho…

Hoje, foram dois casos de intolerância, em dois lugares tão distantes do mundo, que eu decidi escrever sobre isso. Fiquei tão mexida com isso, que deixei de escrever sobre a nossa preparação “humana” para a Copa do Mundo (já se fala muito na infraestrutura né?!)

– O programa CQC tem um quadro que se chama Povo Quer Saber, onde pessoas comuns (ou nem tanto) fazem perguntas à pessoas que estão, de alguma maneira na mídia. O “famoso” de ontem foi Jair Bolsonaro. Quem é do Rio deve saber mais sobre ele. Ele é um ex-militar, que defende a Ditadura (engole essa moleque), e tem um discurso nazi-fascista. É contra as cotas em universidades, homossexuais e racista. Então, Preta Gil fez uma pergunta a ele, e este senhor, simplesmente a distratou. Não só a ela, mas também à sua família. Espia só o vídeo.

– Uma pessoa conhecida minha, estava me contando como está de saco cheio de pessoas de países árabes chegarem na Inglaterra e tentar manter suas culturas, ao invés de se adaptar à deles. O caso foi o seguinte. Um turco parou o carro próximo a esta pessoa e pediu informações de como chegar a uma cidadezinha próxima a Chichester. Após as indicações, o motorista não entendeu muito bem, e ofereceu seu anel em troca deste conhecido entrar no carro e levá-lo até o local. Um simples Não rola, tô atrasado seria o suficiente para dar um chega prá lá no turco. Este conhecido ficou extremamente enraividecido (existe essa palavra? Se tiver errado me corrijam) com a oferta. Me contando o caso parecia que este conhecido foi ofendido, que o turco quase o arrastou para dentro do quarto. Calma, conhecido. Ele queria APENAS saber o caminho. O que tem o costume dele? Não está causando mal a ninguém! Ai, vem o conhecido e fala “se você vem pra um país estrangeiro, o mínimo que deve fazer é abster de seus costumes e se adaptar ao do país em que se encontra”. Sério? Quer dizer então que, quando você vai pra França tem que andar todo fashionzinho e tomar menos banho e usar mais perfume? Que se você é mulher e vai pra Itália tem que ser linda, e maravilhosa, mas depois dos filhos vira uma “mama”? Quando vem ao Brasil tem que sambar e jogar futebol?

Sem mais.

 

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O tal do Bully

Foi bem no início do namoro com Mr. M que eu ouvi pela primeira vez na palavra bully. Ela foi trazida para nosso cotidiano e, para aqueles que nunca ouviram falar, bully é aquela zoação, é o pegar no pé, bater, xingar, inventar nomes e apelidos para alguém. Quer ver como você já viu alguém sofrendo bully? Lembra do coleguinha que apareceu de óculos? Da menina alta e magra? Do gordinho? Todos tinham aqueles apelidos que achávamos que não traria qualquer mal a eles, mas quer saber?! Trouxe sim.

Mr. M me contava como sua época de escola foi um inferno, comparada à minha, a qual o único problema que tive foram com disciplina e notas, relativamente na  média (admito que abaixo da média em física). Quando comentava com ele que eu era feliz e não sabia, que não ligava em voltar no tempo, ele batia o pé e falava que naquela época, ele não quer nem pensar em viver novamente.

Nunca entendi o tanto que Mr. M sofreu na escola. Nunca entenderei a dor que foi causada a eles por pessoas que, hoje, são seus amigos. Como ser amigo de alguém que te fez sofrer tanto, que te causou tanta dor? Mas o coração de Mr. M é muito puro. Ele diz que os perdoa, que crianças são maldosas, e que estes amigos já provaram, em mais de uma ocasião a fidelidade e amizade a ele.

Não sei se conseguiria ser como Mr. M. Eu não queria que uma pessoa que fez da minha vida um inferno convivesse comigo. Jamais chamaria este indivíduo de amigo! Jamais! Esses traumas de infância podem fazer com que uma criança com uma boa estrutura familiar, sem problemas sociais, sem problemas emocionais possam ficar tão depressivas que elas cogitam o suicídio! Elas crescem magoadas, sem amigos, depressivas.

Uma vez, na estação de trem, vi um bando de garotos carregando um saquinho com doces. Havia um menino ao meu lado. Ele estava sozinho, e provavelmente sempre ficou sozinho no recreio, no almoço, nos trabalhos. Vieram alguns garotos e pediram doce, apesar de terem seu próprio saquinho. Ele deu a eles. Eu falei com ele, não dê seus doces a estes garotos que vieram aqui te zombar! Ele me disse que não ligava, que era melhor que isso do que ser chamado por nomes horríveis.

O Bully existe em todo lugar do mundo, mas foi na Inglaterra onde eu percebi que era real. Nunca tinha ouvido falar nisso no Brasil.

Recentemente foi postado na internet o vídeo do garoto Casey Heynes, onde um garoto o soca no rosto e desfere diversos outros socos contra ele. Casey, então, o segura, levanta o garoto e o jogo no chão. Quantas pessoas se sentiram vingadas com a atitude de Casey? Quantas pessoas queriam ter a coragem que Casey teve? Casey, na entrevista que coloquei abaixo, admitiu ter cogitado a possibilidade de suicídio, pois não tinha sequer um amigo. Apenas a companhia da irmã mais velha.

Não acho que violência deve ser combatida com violência. Não sei se concordo 100% com a reação do garoto. Mas sei que sua REAÇÃO, diferente de sua OMISSÃO ao longo de três anos de chacotas e abusos físicos e psicológicos, foi visto como um ato heróico pelo mundo. Na entrevisa, é mostrado como Casey é um garoto bom, e visivelmente frágil.

Bully devia ser crime! É abuso moral! Físico! E os praticantes deveriam ser punidos e não apenas alertados, como faz a maioria das escolas.