A culpa é minha e a coloco em quem quiser

Volta e meio me deparo lendo comentários nos sites de notícias. Normalmente me quedo inerte diante de tamanha ignorância daqueles que comentam. Há tanto ódio, falta de informação, pessoas que insistem em usar uma viseira de burro, sem se permitir uma nova visão, que prefiro guardar qualquer comentário que tenha vontade de fazer.

Recentemente, fui ler um artigo sobre casas em Liverpool, que estão sendo vendidas a £1.00 (cerca de R$3,00) porém o comprador deverá ter habilidades de “DIY”, ou seja, para adquirir as casas a preço de banana, o adquirente deverá reforma-la, seguindo alguns padrões de qualidade.

Aí, fui aos comentários. Houve um comentário que me chamou atenção. Nele o cidadão alega que os pobres culpam os mais pobres por serem pobres (pelo fato do governo ter que dar alguns benefícios e não poder colocar esta verba para moradia). Deveriam ser culpados, segundo ele, os ricos proprietários e patrões por colocarem os preços tão altos das moradias e por pagarem salários tão baixos.

Me bateu aquela preguiça que tenho quando me deparo com um revolucionário anticapitalista. Ingleses tem essa mania de culpar a classe mais rica. Não é de hoje. Acho que essa visão é herdada de pai para filho, iniciada logo após o direito de sindicalizar, em 1824. Os sindicalistas eram veementemente contra a aristocracia, que sua vez, detinha em suas mãos as fábricas, e logo eram os patrões dos sindicalizados. Uma visão, talvez correta, naquela época, e talvez até inicio do século passado, em busca de condições de trabalho frente à ávida fome de lucro dos patrões. Os mineiros e peões de fábricas não dispunham de condições dignas de trabalho, uma época que começaram a ser instituídas leis que obrigavam os locais de trabalho de risco a terem algum equipamento de segurança. Mas manter essa mesma visão hoje?

Oke, não há que discutir que os donos, os patrões, são ávidos cada vez mais por lucro, dinheiro. Mas quem não é? Você trabalha para ficar pobre?

No caso da falta de moradia, por exemplo, é sensato culpar os proprietários por cobrarem um valor alto pelos imóveis? Você compra se quiser. Livre negociação, preceito protegido em muitas constituições e códigos civis ao redor do mundo. A casa está cara? Procure outra! Procure meios de poder arcar com aquele gasto, se você quiser.

O que não dá é ficar culpando a classe rica por seus infortúnios.

You are now approaching King´s Cross

Meu amor pela Inglaterra é imensurável. Tudo quase tudo ali, conspiram de tal forma que eu não teria outra escolha senão ama-la (a mala, sempre lembro do professor falando para ter cuidado em usar palavras que poderiam lembrar outras palavras e expressões foneticamente, tipo these fears e the spheres). Um dos meus amores que mais me perturbam é o metro. Sim, o metro. Isso porque o ex resolveu que iríamos assistir a um filme que se passa no tube (leia-se tchubi). A anta aqui poderia muito bem ter fechado os olhos, dormir, mas não, assistiu toda a epopeia da personagem principal.

O filme se chama Creep.

Amo a praticidade do tube, odeio o cheiro, o som, a aglomeração.

Eis que hoje, na minha leitura diária de the Sun, the independent e BBC me deparo com a notícia que Príncipe Charles andou no tube, depois de 33 anos, para comemorar o centésimo quinquagésimo (diga-me a verdade, você sabia escrever 150° por extenso?) aniversário do sistema de transporte em questão.

Lindo né?! Até que eu li que ele andou por somente uma estação. Nesses aproximadamente 5 minutos (entrar numa estação –  Farringdon, pegar o oyster da mão de um assessor, passar na catraca, esperar o trem, entrar, tirar fotos no vagão, sair, passar pela catraca novamente e sair da estação – King´s Cross) ele deve ter causado um tumulto tamanho, que até agora deve ter gente procurando ele pela estação. A comitiva do Príncipe Charles era composta da digníssima esposa Camilla (não sei se é porque nunca fui com a cara dessa Camilla, mas tenho a impressão que eu nunca fiquei sabendo do enlace matrimonial deles. Estou sozinha nessa?)  e vários seguranças.

Enfim, o importante desse post é, QUE FALTA ME FAZ NÃO TER QUE PEGAR O CARRO PRA TRABALHAR. Por mais que seja cheio e fedido, transporte público melhora sim a qualidade de vida das pessoas. Quantas pessoas deixariam de usar o carro, simplesmente porque não iam mais precisar procurar vaga, ou pagar o combo combustível + estacionamento (que poderia ser equivalente à minha falência).

Let the heir enjoy the ride then.

charles

Diálogos no Vestiário

– Que porcaria esse Hyper Extreme Fat Burner (inventei o nome porque não sou obrigada a saber nome de suplementos alimentares)! Ele está me fazendo peidar que nem um porco!

Me levanto, olho com nojo pra digníssima locutora, e saio do vestiário!

PS: ninguém me guenta agora! Agora faço MMA! Rá!!!!

Slow down!

Todo mundo tem me falado pra levar o trabalho menos a sério, que é só um emprego blablabla! Contradigo falando que não é só um emprego, que é minha carreira e uma vez dada a oportunidade de mostrar meu valor, não poderia deixar escapar!
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Ai tenho um pesadelo, do estilo acordar com o coração palpitando, lágrima nos olhos. Sonhei que havia enviado o rascunho do projeto pra registro!
Agora sim é hora de dar uma verificada nas prioridades né?!

Another day…

Anualmente, no início do ano, vem aquela angústia, aquela saudade infinita, que jamais cessa. Uma saudade, uma falta, uma necessidade de expressar minhas mais sinceras homenagens ao homem de toda a minha vida.

No ano que passou, foram tantos os momentos que quis tê-lo ao meu lado. Somente um cafuné e um colo bastariam para me consolar. Provavelmente assistiríamos um filme clássico (votaria em Cinema Paradiso), e logo a tristeza passaria. Poderíamos, também, tocar piano a quatro mãos.

Não lembro qual time ele torcia. Na verdade nem sei se ele era muito chegado ao futebol. Sua morte prematura me privou de conhecê-lo a este ponto. Sei no entanto que ele gostava de fazer massa. Pediu, inclusive, a minha avó que colocasse um varal de massas na cozinha do sítio.

Lembro também que ele não ligava para opiniões de estranhos. Quantas vezes me carregava no colo (como se fosse uma baguete de pão, de baixo do braço), vestindo pijamas, com o cabelo (toin toin até o talo) completamente desarrumado. Lembro de minha mãe horrorizada quando viu entrar pela porta meu pai e eu, descalços, carregando pão.

“Tarcísio, você não tem juízo nenhum!!! Levou a menina descalça na padaria. Ah Tarcísio, e nem para colocar uma roupa nela!!! Levou a menina de pijamas”!

“Calmaaaaaaa mãe” disse ele.

Com meus quatro anos (talvez menos) achava estranhíssimo meu pai, chamando de mãe, a sua esposa. Não fazia sentido e, talvez por isso, me fazia rir tanto.

Há 22 anos você foi tirado de mim. Há 22 anos, nessa data choro de saudade de alguma coisa que não tive, e sorrio de felicidade pura de tudo que passamos. Minha memória de peixe me dá uma trégua e consigo relembrar muitos de nossos momentos. Lembro, inclusive, do seu cheiro (thanks, brain!). Oh paizinho… que falta o senhor me faz. Que alegria seria se estivesse aqui comigo. Me falaram tantas vezes para não desejar o que não posso ter, mas como evitar, se tudo que mais quero é você comigo? Como evitar desejar ter tido mais tempo com você, quando ao meu redor, a maioria conviveu com você por anos e anos a mais que eu?

Amo-te com todo o amor que uma filha pode amar o pai.

Sinto saudades com toda a saudade que um coração pode aguentar.

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Boxing Day – brazilian style

Heeeeyyy sexy laaaddieeee,

Brasileiro adora importar tradições de outros lugares, ainda mais se for com intuito comercial. Há pouco tempo, o Black Friday foi um estouro de vendas (e reclamações). No Black Friday de 2012, houve um aumento de 386% nas vendas online comparado a um dia comum (Não Penteio Cabelo é cultura fia!!!). Eu não cai nessa.

Agora, para minha surpresa, eles importaram o Boxing Day. Wohooo mais um dia de compras desenfreadas e inúteis!

Acontece que o Boxing Day nunca foi INICIALMENTE um dia para se esbaldar nas lojas!

O Boxing Day se trata de uma data especial, que é celebrada no dia 26 de dezembro. Há relatos de comemorações da data desde 1663.

Na Grã Bretanha (não me canso de pensar Bretanha, Bretanha, Bretanha… mas que nome mais ordinaáááááário), havia o costume de entregar “caixas de natal” a trabalhadores, como forma de agradecê-los pelo bom serviço apresentado durante o ano. Essa tradição é relacionada a outra que dizia que os serviçais tinham que esperar pelos mestres no dia de natal, só podendo visitar a família no dia seguinte. Os mestres, então, davam aos serviçais uma caixa com presentes, bônus, e algumas vezes incluíam sobras de comida.

Bammmmm. Eles importam uma tradição que é basicamente mostrar certa gratidão àqueles hierarquicamente subordinados e transformam numa corrida insana de compras. (estou no meu momento egalité, fraternité, liberte então não vou comentar que euzinha já pesquisei em todos os sites de descontos, no asos.com, dorothyperkins.co.uk, next.co.uk, newlook.com e accessorize.co.uk)

Abaixo segue fotos do boxing Day, ontem, que ocorreu na minha saudosa maloca Londres.

Boxing day – Londres

Boxing day – Londres (poor shop attendant)

Boxing Day – Londres (correeeee tiaaa)

 

 

Utilidade Pública – couro manchado

Minha mãe me deu uma bolsa, linda, do jeito que eu queria. Ao entregar o presente, como qualquer mãe que quer dar uma cutucada na filha que se preze me avisou “toma cuidado, se manchar couro claro assim, ja era!?”. Eu ouvi, e juro que cuidei, mas mesmo com todo o zelo, nao pude evitar as inevitáveis manchas azuis, advindas do jeans escuro. Olha só o estrago:

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Merde, merde.
Então, busquei na internet formas de limpar o couro, mas nada realmente adiantou. Até que descobri esse produtinho: creme de limpeza e conservação de couro. Comprei no mercado livre e chegou hoje. E para minha surpresa, olha o resultado!!!
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Nao ta perfeito, mas nao ta azul! Amei! Recomendo!

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Na Cozinha com Miss Cherry II – Geleia de Morango

Estava eu, surfando olhando as fotos no instagram, quando me deparo com Bruna (do Brunainglaterra) cheia de mimimi porque não consegue fazer geleia. Tomei pro pessoal, porque quando uma geleia desafia bróder minha, eu levo pro pessoal, bato de frente e falo que pego lá fora.

Procurei uma receita de geleia de morango (que se encaixa perfeitamente na categoria de frutas vermelhas) e fui a batalha.

RECEITA DE GELEIA DE MORANGO

 1 KG DE MORANGO (eu usei 500g)

1 KG DE AÇÚCAR (eu usei 500g)

2 COLHERES DE SOPA DE SUCO DE LIMÃO (eu fingi ser mestre cuca e fui espremendo até achar que tava legal)

Voce coloca os morangos numa panela, já limpos, sem os cabinhos. Eu inclusive tirei as partes mais maduras (aquelas que ja ficam molengas) do morango porque eu sou fresca eu achei que podia interferir no sabor.

Deixe no fogo por um tempo até comecar a sair o suco do morango.

Quando soltar o líquido, coloque o suco de limão e o açúcar. E deixe cozinhar por uns 30 minutos ou até engrossar bastante.

E voi la! Minha own geleia de morango. Linda e apetitosa, sem conservantes, só com muito morango e açúcar.

CUIDADO – ITEM ALTAMENTE VICIANTE, VAI TE FAZER LAMBER A COLHER AINDA QUENTE.

Bruna, agora é sua vez!!!

Na cozinha com Miss Cherry – Cupcake de Guinness

Tem dia que eu acho que tenho o mesmo talento que a Nivea, e saio por ai cozinhando, me achando a mestre cuca. Tem dia que dá certo. Tem dia que não. E hoje ontem foi o dia que deu super certo.

Ingredientes:

Massa:

1 xícara de chá da Guinness Extra Stout

3/4 de xícara de chá de manteiga sem sal (100g de manteiga)

2 ½ xícaras de chá de farinha de trigo

2 xícaras de chá de açúcar

3/4 de xícara de chá de cacau em pó

1/2 colher de sopa de bicarbonato de sódio

1 ovo grande

3/4 de xícara de chá de sour cream (3/4 de xícara de chá de leite integral com 1 colher
de sopa de suco de limão, deixando descansar por 10 minutos antes de usar)

3/4 de colher (de chá) de sal

Cobertura:

1 xícara de chá de Guinness

2 ½ xícaras de chá de açúcar de confeiteiro peneirado

¼ de xícara de chá de leite

1 xícara de chá de manteiga sem sal, em temperatura ambiente (140 gramas de manteiga)

½ colher de sopa de extrato de baunilha


Modo de preparo da massa:

Coloque o forno para pré-aquecer a uma temperatura de 180ºC.
Coloque uma xícara de chá da cerveja e 100 gramas de manteiga em uma panela pequena ligada no fogo médio evitando ferver.
3 minutos depois adicione ¾ de xícara de chá de cacau em pó e as duas xícaras de açúcar, misturando até ter uma mistura homogênea. Deixe resfriar.

Em outra tigela misture 2 ½ xícaras de chá de farinha, ½ colher de sopa de bicarbonato e ¾ de colher de chá de sal sal. Reserve.
Bata os ovos e o sour cream ( ¾ de xícara de chá de leite e uma colher de sopa de limão) na batedeira até ter um creme. Depois adicione a mistura de cerveja feita no inicio.
Vá lentamente adicionando o conteúdo da tigela de farinha, bicarbonato e sal.
Após misturar e deixar a massa homogênea, preencha as forminhas de papel até 2/3 de seu volume total.
Leve ao forno por 12 a 15 minutos. Coloque um palito para ver se assou por dentro.

Modo de preparo da cobertura:

Coloque uma xícara de chá de cerveja em uma panela pequena e leve ao fogo baixo por 15 minutos. A cerveja irá engrossar e o álcool irá evaporar.
Bata 140g de manteiga em alta velocidade até ficar cremosa. Adicione o 2 ½ xícaras de açúcar de confeiteiro e ¼ de xícara de leite.
Quando estiver bem cremoso adicione o extrato de baunilha

Vá lentamente adicionando a cerveja e experimentando para não passar a quantidade.
Quando a cobertura estiver pronta cubra os cupcakes.

Então, essa foi a receita que eu usei pra fazer meus cupcakes. Eles ficam muito bons, de verdade.

Receita originalmente extraída daqui

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Sinal de Deus

O final de semana que passou foi casamento de minha prima. Crescemos juntas, viajávamos juntas, íamos pra farra juntas. Até que ela conheceu o namorado e pronto. Casaram!

A Gabi foi a daminha. A mais linda e graciosa que ja se ouviu falar!

Mas então, nao to aqui pra falar do evento em si. Mas de um momento muitíssimo especifico: a hora do buque (bouquet, praquelas chatas que nao falam buque!).

Quando estava com Mr. M, sempre me aventurava na disputa do buque. Mas havia um campo magnético que repelia o buque. Se ele estava na minha direção, automaticamente o campo magnético ligava e vuooommm o buque era visivelmente rechaçado. Isso quando nem na minha direção ele vinha né?! Eu estava no canto da direita ele ia para a esquerda, eu estava no canto da esquerda ia pra direita. Ficava na frente ia pros fundos, ficava nos fundos, e nem no meio ele chegava.

Mas no casamento de minha prima foi diferente. Me posicionei no canto esquerdo, embaixo da caixa de som. Fui no aglomerado das solteiras porque minha prima pediu “pra encher a foto”. Fui. Nao poderia negar! E ela jogou. Direcionado pra amiga dela, que estava na minha frente. O buque, no entanto, bateu na caixa de som, e caiu nas minhas mãos. Assim! Sem disputa, arranca rabo, puxão de cabelo ou pisão no pé!

A cara de decepção da amiga foi digna de foto. A cara de felicidade da minha mãe digna de filmagem! O noivo nao parava de rir do infortúnio da amiga que nao pegou o buque, o namorado dela respirava aliviado pois estava livre daquela cobrança “agora tem que marcar o casamento”.

Eu sai de lá com um sentimento bom, como que se fosse um sinal de Deus. “Coisas melhores estão por vir”.

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Aproveitando, olha o penteado que me fizeram! Léndo, sucesso! Mas pergunta se fica? O cabelo dessa que vos fala é liso e pesado! No meio da festa tive que soltar e pentear o cabelo! Mas tá ai a foto para inspirar as meninas!

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